Sofo da Poltronova é um manifesto do Radical Design

Entre os ícones do design italiano dos anos 60, há peças que continuam a desafiar categorias. O Sofo, da Poltronova, é uma delas.

Desenhado em 1968 pelo coletivo Superstudio, o sofá Sofá surge num contexto de rutura, quando o design se afasta da função estrita e se aproxima de uma dimensão mais conceptual, quase provocadora. Ainda assim, o Sofo mantém-se surpreendentemente acessível: direto na forma, intuitivo no uso.

A sua construção parte de um gesto simples: um corte em “S” aplicado a um bloco de poliuretano. O resultado é um volume compacto, contínuo, onde assento e encosto emergem sem hierarquia evidente. Não há ornamento, apenas cor, em combinações gráficas que reforçam o caráter quase abstrato da peça.

Mas é na forma como se relaciona com o espaço que o Sofo ganha relevância. Pode organizar-se em sequência, como um sistema linear, ou assumir composições mais livres, quase escultóricas. Existe aqui uma ideia de modularidade aberta, sem imposição, algo raro, mesmo no design contemporâneo.

Mais do que responder a uma necessidade, o Sofo propõe uma atitude. Uma forma de habitar mais descontraída, menos normativa, onde o objeto não dita regras, mas sugere possibilidades.

Num tempo em que o design tende novamente para o essencial, esta peça mantém-se atual, não por nostalgia, mas pela clareza do seu conceito. Radical na origem, mas silenciosamente sofisticado na presença.

Vai estar em exposição na QuartoSala.

Cesto

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