Cassina do passado ao presente

Descrever uma marca como a Cassina implica inevitavelmente revisitar a história do design do século XX. Poucas editoras estiveram tão próximas dos momentos fundadores da modernidade quanto esta.  

O seu percurso constrói-se a partir do diálogo com alguns dos maiores protagonistas do design italiano e da sua fundação.

Entre eles destacam-se figuras incontornáveis como Le Corbusier, Vico Magistretti, Marco Zanuso e Frank Lloyd Wright. Autores que encontraram na Cassina não apenas um fabricante, mas uma verdadeira editora, capaz de transformar ideias radicais em produção rigorosa e duradoura.

A história da marca começa como negócio familiar de mobiliário no início do século XX, mas é no pós-guerra, com a afirmação do design italiano, que a Cassina assume o seu papel determinante. A aposta na produção em série de peças concebidas décadas antes, como os modelos do trio formado por Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand, entre eles a icónica poltrona LC2 que marcou um momento decisivo na democratização do design moderno.

Desde então, a Cassina tem mantido uma posição singular: preservar o legado do movimento moderno enquanto continua a investir na experimentação contemporânea. Essa tensão entre memória e inovação tornou-se uma das suas maiores forças.

Sob a direção artística de Patricia Urquiola, iniciada em 2015, a marca reforçou precisamente esse equilíbrio. O trabalho da designer espanhola tem aprofundado o diálogo entre arquitetura, design e investigação material, aproximando o património histórico da Cassina de novas linguagens e formas de habitar.

Hoje, a marca continua a afirmar-se como referência internacional, não apenas pela qualidade das suas reedições históricas, mas pela capacidade de criar coleções contemporâneas que mantêm vivo o debate entre tradição e inovação.

Mais do que seguir tendências, a Cassina continua a moldá-las confirmando que o verdadeiro clássico é sempre contemporâneo.

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